RÍA DE PONTEVEDRA

Rias e praias
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Posição

Coordenadas:
42º 24' 58.1" N - 8º 41' 04.2" W

Descrição

A ria de Pontevedra abre-se entre a Punta de Cabicastro, situada a oeste da Praia de Canelas, a norte, e a Punta Centoleira, a sul. O seu vértice mais oriental é mais difícil de assinalar, devido à desembocadura do rio Lérez, mas podemos situá-lo na cidade de Pontevedra, onde o rio se une ao mar, a uns 14 km da boca da ria, cuja forma é a de outra cunha perfeita de água do mar, que se adentra no continente seguindo a direcção sudoeste-nordeste.
Relativamente perto da costa, na entrada da Ria de Pontevedra, situam-se as Ilhas de Ons, habitadas desde a antiguidade. De formas mais suaves que as Cíes, as Ons apresentam tal como as primeiras um perfil litoral cheio de contrastes, menos abrupto para o interior da ria, e dominado pelas falésias a oeste, em que uma vez mais encontramos furnas, como a espectacular Cova do Inferno. E, tal como nas Cíes, em Ons a fauna encontra um lugar privilegiado. Mas nas Ons a presença humana foi historicamente superior, tendo as ilhas estado habitadas até aos anos cinquenta do século vinte. Actualmente, a maior parte da povoação vive na ilha unicamente no Verão.

Na ria de Pontevedra e nas suas ribeiras, a arte e a história combinam-se para o prazer do viajante. Nas suas margens situam-se formosas cidades como Pontevedra; mosteiros, como o de Poio ou, um pouco mais longe, Armenteira; vilas como Marín, que combina a sua vocação militar com a pesca, ou Bueu, vila claramente piscatória e mariscadora; centros turísticos e residenciais como Sanxenxo, Portonovo ou San Vicente de O Grove; povos pitorescos como Aldán -situado no fundo da sua pequena enseada, apêndice da de Pontevedra-, Raxó, Combarro ou Mogor.

Pontevedra, a capital provincial, é uma cidade equilibrada, sem gigantismos urbanísticos, que combina o encanto do passado na sua ampla parte antiga, felizmente respeitada pelo desenvolvimento actual. No seu interior surgem belas igrejas como as ruínas de Santo Domingo, São Francisco, Santa María a Maior, A Peregrina e um Museu Provincial que, possivelmente, é o mais visitado da Galiza pela riqueza do seu espólio. Pontevedra foi pátria de grandes marinheiros (Sarmiento, Nodales, etc.) que descobriram terras para Espanha.
Muito perto encontra-se Marín, uma vila moderna, com escassos vestígios do passado. No cimo do monte situado às suas costas encontra-se um mirante que permite contemplar as rias de Vigo e de Pontevedra.
A riqueza de areais é grande dentro da ria, destacando-se Sanxenxo pela sua importância turística, cuja povoação se multiplica no Verão. As novas construções, no entanto, apagaram os restos da povoação antiga. Tudo em Sanxenxo é moderno.

O contrário ocorreu na praia de A Lanzada, um areal com mais de 4 km, pertencente aos municípios de O Grove e Sanxenxo, onde a regeneração do sistema de dunas propiciou a existência de uma das praias mais visitadas da Galiza. Associadas a esta praia aparecem belas lendas, como a dos banhos de "nove ondas" para encontrar parceiro ou parceira, e para assegurar a descendência. E nas suas margens situa-se a Ermida de Santa María da Lanzada e a Torre da Lanzada, possivelmente vestígio de um antigo farol.
Mais a Oeste encontra-se O Grove, uma vila que fez da gastronomia marinha um culto que se pode "praticar" nos diferentes tascos, tavernas e restaurantes que oferecem os mais esquisitos mariscos e peixes.
E, a modo de apêndice, encontra-se a ilha de A Toxa, um esplêndido recinto que conta com magníficas instalações hoteleiras, construídas no início do século. Das noites de A Toxa dizia Álvaro Cunqueiro que existe "um silêncio estranho e consolado, apenas perturbado pelo vento nos pinheiros ou pelo canto do mar na vizinha Lanzada".

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