RÍA DE VIGO

Rias e praias
422

Posição

Coordenadas:
42º 14' 02.2" N - 8º 43' 37.0" W

Descrição

A Ria de Vigo estende-se de sudoeste a nordeste, como uma lança marinha que se vai estreitando à medida que caminhamos para o interior. No entanto, apresenta uma acentuada diferença em relação às outras rias do sul da Galiza. Enquanto que as rias de Muros, Arousa ou Pontevedra se estreitam no fundo, a de Vigo fá-lo em Rande para voltar a abrir-se novamente, formando a Enseada de San Simón com a ilha do mesmo nome unida a terra durante a maré baixa por uma língua de areia.
À entrada da ria de Vigo, como três naves pétreas varadas no oceano, encontram-se las Ilhas Cíes que, junto com as Ons, a Ilha de Sálvora e a Ilha de Cortegada, forman o Parque Nacional das Ilhas Atlânticas.

As Cíes apresentam formas diferenciadas de oeste a este. Para poente aparece uma linha de costa brava, inacessível, com impressionantes alcantilados em que se abriram numerosas baías e grutas -furnas- nas quais fazem ninho uma grande variedade de animais. Pelo contrário, para o interior da ria o relevo é mais suave, com menores inclinações, o que deu origem à formação de formosas praias em que a areia se mistura com os restos das conchas.
É precisamente neste sector protegido que se podem admirar interessantes amostras da flora atlântica, entre cujas espécies se destaca a camariña.
As Cíes, às quais é possível o acesso desde Vigo a um número limitado de pessoas por viagem, destacam-se não apenas pelo seu interesse natural, mas também protegem parcialmente a ria dos fortes temporais atlânticos, permitindo que numerosas bateias -viveiros de mexilhões- povoem as suas águas.
A Ria de Vigo, devido à sua situação privilegiada, alberga não apenas a cidade que lhe dá o nome, um dos melhores portos da Europa, mas também outros lugares com uma longa e rica história; não podemos esquecer que a ria foi um importante eixo comercial desde os tempos pré-históricos.

Dizia o viajante G. Borrow que Vigo era a feliz combinação de uma baía "que não tem comparação no mundo". O desenvolvimento sofrido a partir de finais do século dezanove trouxe consigo a génese de uma ampla infra-estrutura industrial marítima -estaleiros, fábricas de conservas, porto de pesca, etc.- que a converteu na cidade mais povoada da Galiza. Vigo conta com esplêndidos parques, museus -contemporâneo, museu do mar, zoológico...- e praias. Vigo conserva a pequena e marítima zona velha de O Berbés, em vias de reabilitação, e o parque de Castrelos que é, sem dúvida, o mais formoso parque urbano da Galiza. Neste recinto está situado o Paço Museu de Quiñones de León, hoje Museu Municipal.
Na margem sul da ria de Vigo abre-se a enseada de Baiona, na qual desagua o rio Miñor. Nas suas extremidades encontram-se os portos de Panxón e Baiona, ligados pelos areais de A Ramallosa e de Praia América. Em Baiona, hoje um centro turístico de primeira categoria, concentrou-se durante vários séculos o comércio da zona, até que se produziu o desenvolvimento espectacular de Vigo. Baiona foi um centro mercantil muito importante durante a Idade Média, e continua a ser um dos refúgios mais conhecidos e frequentados pelas embarcações que percorrem as costas galegas.

Em Março de 1493 chegou à vila a caravela A Pinta, sob as ordens de Pinzón e pilotada pelo pontevedrês Sarmiento. No interior da vila existem belas igrejas, destacando-se a antiga colegiada. Na margem setentrional da ria situa-se Cangas, uma vila de grande crescimento económico, que todavia conserva as suas ruas tradicionais e os seus velhos costumes, tal como Moaña, outra formosa estampa marítima.
Para nordeste, a ria estreita-se em Rande, onde é atravessada pela auto-estrada que une Vigo com o Norte da Galiza através de uma espectacular ponte suspensa, como uma grande bateia, que se confunde harmoniosamente com as que cobrem a superfície da ria à sua volta. Depois de Rande encontra-se Redondela, vila marcada pelo caminho de ferro e pelas suas pontes de ferro.
Ao fundo da ria encontra-se Ponte Sampaio, nome de conotações libertadoras -pela batalha que terminou com o domínio francês em 1809- e Arcade, outrora um dos viveiros de ostras mais importantes da Europa.
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