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Cabo Finisterra

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Cabo Finisterra

O "finis terrae". Porque razão alguém viria ao fim do mundo?

Costa da Morte

GEODESTINO

Costa da Morte

Era aqui que se encontrava o fim do mundo, o "Finis Terrae" dos romanos. Mais concretamente, o cabo Finisterra, um lugar fascinante...

Santuários máxicos

Santuários atlânticos

Este percurso pela Costa da Morte convida-nos a conhecer as grandes lendas, crenças, rituais e romarias marinheiras que se sucedem ao longo de um litoral cheio de santuários donde se avista o mar a partir de lugares privilegiados.

Interessa-lhe!

  • Início: A Laracha
  • Fim: Fisterra
  • Dias: 2
  • Km (aprox): 135 Km
"Santo Cristo de Finisterra,
Cristo da barba dourada,
venho de tão longe terra,
Santo, para Vos ver a face.

Venho da Virgem da Barca,
acabo de mover a pedra,
também venho para Vos ver
Santo Cristo de Finisterra".

Data de celebração das romarias:
- Milagres de Caión: 8, 9 e 10 de setembro.
- San Hadrián do Mar: Domingo seguinte a 16 de junho.
- Nuestra Señora de la Barca: Domingo seguinte a 8 de setembro.
- Santo Cristo de Finisterra: Domingo de Páscoa de Ressurreição.

Percurso – 1º Dia

Começamos a nossa primeira jornada na antiga vila baleeira de Caión, onde encontramos o  santuário de Nosa Señora dos Milagres.

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A partir deste cerro, é possível desfrutar de uma inesquecível vista panorâmica. A vila está rodeada por um mar bravio que parece comer a pequena península com cada tempestade. É fácil imaginar como era a vida dos pescadores antigamente, lutando nas suas embarcações contra a força do mar e do vento à procura de uma grande baleia.
A romaria da Nosa Señora dos Milagres começa no domingo anterior a 8 de setembro. Durante uma semana, milhares de pessoas chegam ao santuário a partir de toda a comarca para pedir à Virgem cura ou agradecer-lhe a intervenção divina pelos favores pedidos. Centenas vêm a pé e algumas continuam o seu oferecimento dando várias voltas de joelhos em torno do templo do século XIX. A tradição diz que a fonte santa é milagrosa para os problemas da pele, pelo que, já que estais aqui, molhai um pano na água e a seguir colocai-o ao ar para que, quando secar, todos os males desapareçam. Se aqui vierdes nos dias de romaria, vereis um grande manto branco em torno do manancial e, se forem qualquer outro dia do ano, descei à vila e abri a porta da igreja paroquial para vos aproximardes do altar da Virgem, que é onde se encontra o manto branco no resto do ano.
A nossa viagem continua para Malpica de Bergantiños. Lavar-se com a água santa é um ritual que também é cumprido pelos fiéis no  santuário de Santo Hadrián do Mar, do século XVI. O templo ergue-se solitário e simples no cabo com o mesmo nome, intimamente vinculado ao mar, com as ilhas Sisargas ao seu lado. No dia da festa, a procissão sai com a imagem do santo ao princípio da manhã da vila de Malpica. Os três quilómetros do caminho antigo enchem-se de romeiros que acompanham a imagem pela areia da praia e pela margem da costa. A fama de milagroso de Santo Hadrián deve-se a que se diz que livrou a zona de uma praga de serpentes. A tradição conta que depois do milagre, o único réptil que se pode ver em todo o cabo é o que aparece na silhueta de uma das pedras das falésias que existem perto da ermida.
Deixando atrás a península de Malpica e antes de chegar ao seguinte santuário mágico, temos o privilégio de encontrar vários lugares emblemáticos como o original e moderno farol de Punta Nariga. Foi desenhado pelo arquiteto César Portilla, de Pontevedra, reproduzindo a imagem de um impressionante barco de pedra aproando ao mar. Também não deveis perder o detalhe das formações rochosas que existem ao vosso redor. O vento e o salitre lavram enormes pedras de granito, desenhando nas mesmas espetaculares esculturas naturais com forma de bruxas, ossos ou tartarugas.
A partir daqui, avistam-se as ilhas Sisargas e, para sul, o cabo Roncudo onde os “percebeiros” de Corme arriscam as suas vidas, entre rochas e ameaçantes ondas marítimas, na procura deste apreciado fruto do mar. Se visitardes Corme, não percais a oportunidade de degustar este tesouro do Roncudo, para muitos, os melhores percebes da Galiza, em alguma tasca da vila. Esta é sem dúvida a melhor forma de saborear o paladar de uma lufada de mar. Aproveitai também para conhecer a Pedra da Serpe, pois Santo Hadrián também passou por aqui para libertar a comarca da praga de répteis. Um dos répteis ficou petrificado e, fruto da cristianização, foi ali colocado um cruzeiro.
Seguindo o nosso caminho para sul e antes de chegar a Muxía, a “terra dos monges”, fazemos uma paragem no caminho para conhecer o mosteiro românico de  San Xián de Moraime. Trata-se de um antigo cenóbio beneditino de grande beleza que foi erguido no século XII. Obra da escola do Maestro Mateo, famoso escultor do  Pórtico da Gloria,  na sua portada nota-se a influência da catedral de Santiago de Compostela.
Chegando a Muxía, e para terminar a jornada, propomos-vos um bonito passeio pela zona portuária, enquanto o sol se põe sobre o mar bravo da  Costa da Morte. Aí, podeis aproveitar para jantar num dos restaurantes perto do porto: o sargo, o robalo ao sal e os longueirões são algumas das especialidades.

 

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